Detalhe do painel que fiz, chamado "Mulinha", em homenagem a Drummond.
Segue a poesia:
Mulinha
A mulinha carregada de latões
vem cedo para a cidade
vagamente assistida pelo leiteiro.
Pára a porta dos fregueses
sem necessidade de palavra
ou de chicote.
Aos pobres serve de relógio.
Só não entrega ela mesma a cada um o seu litro de leite
para não desmoralizar o leiteiro.
Sua cor é sem cor.
Seu andar, o andar de todas as mulas de Minas.
Não tem idade - vem de sempre e de antes -
nem nome: é a mulinha do leite.
é o leite cumprindo ordem do pasto.
Carlos Drummond de Andrade

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